Na manhã de 19 de maio de 2025, o bebê Gael foi alimentado e colocado para dormir de lado em uma cama de solteiro. Poucos minutos depois, a cuidadora notou que o bebê estava com os lábios roxos e iniciou manobras de reanimação com orientação do Samu. Apesar dos esforços, a criança não resistiu. A suspeita é de que ele tenha se engasgado com leite, com possível agravante de uma bronquiolite recente.

O casal responsável pela creche  um homem de 37 anos e uma mulher de 43 — foi preso em flagrante. A mulher pagou fiança e responde em liberdade. O homem permanece detido, aguardando decisão da Justiça.

A creche funcionava há cerca de dez anos sem alvará, atendendo cerca de 20 crianças ao mesmo tempo. Fiscalizações anteriores da Vigilância Sanitária e do Conselho Tutelar já haviam apontado a necessidade de regularização, mas o local continuava operando.

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Segundo a Polícia Civil, a superlotação do espaço está diretamente ligada à falta de vagas em creches públicas na região. A Prefeitura de Curitiba informou que mais de 7 mil crianças aguardam vaga atualmente. Como medida paliativa, a administração oferece um auxílio mensal de R$ 1.000 para famílias cadastradas há pelo menos quatro meses, mas a demanda segue alta.

Os responsáveis foram formalmente indiciados por homicídio culposo, crime com pena de até quatro anos de prisão. A defesa afirma que o caso foi uma fatalidade e que a creche operava em boas condições, com cuidado adequado às crianças.

A morte de Gael causou revolta entre moradores, que realizaram protestos pedindo justiça e mais fiscalização sobre creches clandestinas. A comoção gerou mobilização política: a Câmara Municipal passou a cobrar informações detalhadas da Prefeitura e do Ministério Público sobre a fiscalização desses espaços, principalmente em regiões vulneráveis como o Tatuquara.

O inquérito segue em andamento. A Polícia Civil aguarda laudos do Instituto Médico-Legal e novos depoimentos para esclarecer os detalhes do caso. Autoridades alertam para o risco crescente da informalidade no cuidado infantil, agravado pela baixa oferta de vagas públicas.

O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade do poder público em garantir acesso seguro à educação infantil e em fiscalizar ambientes irregulares que colocam vidas em risco.