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O Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), publicou nesta sexta-feira (6) a Resolução nº 1.014/2025, que declara estado de alerta em saúde pública para o enfrentamento das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs). A medida ocorre em meio ao aumento expressivo de casos e óbitos causados principalmente por Influenza e Covid-19, que já sobrecarregam hospitais em diversas regiões do Estado.
Desde o início do ano, foram confirmados 10.635 casos de SRAG hospitalizada no Paraná, com 523 mortes. A Influenza responde por 991 casos e 85 óbitos — destes, apenas 9 vítimas estavam vacinadas contra a gripe, o que reforça a importância da imunização.
O levantamento epidemiológico mostra um aumento de 43,17% nas hospitalizações por SRAG entre as semanas epidemiológicas 18 e 22 (de 27 de abril a 31 de maio), passando de 3.164 para 4.530 casos. Atualmente, 222 dos 399 municípios do Paraná já registraram casos hospitalizados por vírus respiratórios, e 25 municípios contabilizam óbitos.
“Estamos com um momento de muita pressão nas vagas de leitos hospitalares, tanto de enfermaria quanto também de UTIs em todo o Estado. Com essa resolução de alerta, instituímos um plano de ação para enfrentamento dessa síndrome respiratória aguda grave neste momento”, declarou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
🏥 Leitos e testagem reforçados
A pressão sobre os hospitais é evidente. A taxa de ocupação de leitos de UTI no Paraná chegou a 88%, enquanto as enfermarias registram 62% de ocupação. Especificamente para casos de SRAG, 10% das UTIs e 6% das enfermarias estão ocupadas.
Para ampliar a capacidade de resposta, a Sesa autorizou a abertura de 58 novos leitos nas regiões de Curitiba, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa:
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20 leitos pediátricos no Hospital Infantil Waldemar Monastier (Campo Largo)
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13 leitos no Hospital do Coração Bom Jesus (Ponta Grossa), sendo 10 de enfermaria e 3 de UTI
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25 leitos pediátricos no Hospital Madre Diê (São Miguel do Iguaçu), com 15 de enfermaria e 10 de UTI infantil
O Estado também tem capacidade para abrir mais 200 leitos se necessário — 50 UTIs e 150 de enfermaria.
Além disso, foram adquiridos 100 mil testes rápidos do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), com investimento de R$ 800 mil. Os testes, que detectam Influenza A, Influenza B e Covid-19, serão distribuídos para UPAs, hospitais e UBSs, permitindo diagnóstico precoce e início rápido de tratamentos como o antiviral oseltamivir (Tamiflu).
“O uso do teste rápido possibilita que o profissional de saúde inicie o esquema terapêutico mais cedo, o que auxilia muito na recuperação dos pacientes”, ressaltou o secretário.
Impacto maior entre crianças e idosos
As crianças e os idosos são os grupos mais afetados nesta onda de SRAG. As internações de crianças até cinco anos aumentaram 14,12% em relação a 2024 (de 4.951 para 5.765 internações). Já entre idosos acima de 60 anos, o aumento foi de 19,66% (de 5.573 para 6.937 internações). Atualmente, cerca de 80% das solicitações de internação se referem a pacientes desses dois grupos.
Entre os vírus respiratórios identificados, 47,9% das amostras analisadas foram positivas, incluindo 283 casos de Influenza e mais de 1.000 de outros vírus respiratórios.
No mesmo período (29/12/2024 a 31/05/2025), o Paraná também notificou 14.600 casos de Covid-19 e 94 óbitos. A incidência atual é de 125,9 casos por 100 mil habitantes, com taxa de mortalidade de 0,81 óbitos por 100 mil habitantes.
💉 Vacinação segue abaixo da meta
A vacinação contra a gripe é um dos principais instrumentos para evitar casos graves. No entanto, a cobertura no Estado ainda está aquém da meta de 90%. Segundo o Vacinômetro Nacional:
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Idosos: 46,03% vacinados
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Crianças: 33,74%
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Gestantes: 30,83%
No total, 2.462.215 doses foram aplicadas, enquanto 4.188.000 vacinas foram distribuídas pelo Ministério da Saúde.
A Sesa reforça a importância da vacinação para reduzir a circulação viral e proteger os grupos mais vulneráveis. A secretaria também divulgou um conjunto de 10 dicas para ajudar a população a se proteger contra vírus respiratórios, como a higienização frequente das mãos, uso de máscaras em locais fechados, e a atualização do esquema vacinal.
Com UTIs próximas do limite e o avanço das doenças respiratórias, o sistema de saúde do Paraná vive um momento de alta tensão. O governo estadual busca frear a curva de hospitalizações com medidas emergenciais — reforço da testagem, ampliação de leitos e incentivo à vacinação.
A colaboração da população será essencial. Vacinar-se e adotar comportamentos preventivos são atitudes que podem fazer a diferença nos próximos meses.
Publicado por:
REDAÇÃO PORTAL METROPOLITANO
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