O Paraná registrou 87 casos de feminicídio — entre tentativas e mortes consumadas — apenas no primeiro trimestre de 2025. Os dados são do Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), vinculado ao Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Na maioria dos casos, as vítimas tinham vínculos íntimos com os agressores.

O levantamento reforça uma triste realidade: a violência contra a mulher tem raízes em relações de proximidade e confiança, que se tornam cenários de agressões letais. Casos de feminicídio são registrados diariamente em diferentes regiões do estado.

Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025, divulgado pelo Ministério das Mulheres, o Brasil contabilizou, em 2024, 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos de mulheres, além de registros de lesões corporais seguidas de morte.

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Em entrevista à imprensa, a professora Jucimeri Isolda Silveira, doutora em Serviço Social e docente do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas da PUCPR, reforçou a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Para ela, o enfrentamento à violência de gênero deve ser articulado entre ações preventivas, proteção imediata e punição adequada dos agressores.

“É preciso compreender o feminicídio não apenas como um ato individual de violência, mas como um fenômeno estrutural que reflete a desigualdade de gênero profundamente enraizada na sociedade brasileira”, afirmou a professora.

Dez anos da Lei do Feminicídio

Em 2025, a Lei do Feminicídio completa dez anos. Apesar de representar um avanço jurídico ao tipificar o crime como homicídio qualificado, os dados revelam que os índices seguem em alta, especialmente no Paraná. O cenário exige um esforço coordenado entre os poderes públicos, a sociedade civil e os meios de comunicação para ampliar o debate e garantir mecanismos de proteção mais eficazes às mulheres.

FONTE/CRÉDITOS: Creditos a informações Portal CBN Curitiba