Uma grande polêmica tomou conta da cidade de Piên nesta terça-feira (06), após a tramitação de uma proposta que visava instituir o pagamento de 13º subsídio e adicional de um terço sobre férias para vereadores, prefeito e vice-prefeito. A proposta de emenda à Lei Orgânica, registrada como Mensagem nº 09/2025, havia entrado na pauta da sessão da semana passada e seguiria para a primeira discussão no plenário da Câmara Municipal nesta semana. No entanto, diante da forte repercussão negativa, o texto foi retirado de pauta.

A medida, que gerou intensa mobilização popular, ganhou ainda mais repercussão após matéria veiculada por uma emissora de televisão do Paraná. A pressão da opinião pública levou os parlamentares a se reunirem antes da sessão para discutir a condução da proposta. O vereador Dore Ritzmann (Republicanos) foi o responsável por solicitar vistas do projeto, o que motivou sua retirada temporária da tramitação.

Durante o espaço da Palavra Livre na sessão, vários vereadores se manifestaram contrários à medida. A vereadora Seandra Cordeiro de Oliveira (União Brasil) elogiou a decisão do presidente da Câmara, Almir Pedro Mielke (PRD), de retirar o projeto da pauta. “Se fosse eu, nem teria colocado em votação. Achei prudente o pedido de vistas do vereador Dore”, disse, relatando que uma enquete feita em suas redes sociais indicou ampla rejeição à proposta por parte da população.

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Também contrária, a vereadora Edilene Lenchown (Republicanos) reforçou seu compromisso com os interesses da comunidade. “Estou aqui para favorecer a população. Converso com meus eleitores fora desta Casa e sei que eles são contra esse tipo de benefício”, afirmou.

Por sua vez, o vereador Dore Ritzmann defendeu seu pedido de vistas ao apontar que o projeto poderia prejudicar secretários municipais, uma vez que o texto também tratava da regulamentação de direitos já garantidos aos servidores públicos. “Com esse pedido, vamos ter tempo para corrigir o projeto e evitar distorções”, justificou.

Os vereadores Altevir Minikovski, o Tevo (Podemos), e Gabriel Busch também manifestaram oposição à concessão de benefícios aos agentes políticos. Gabriel destacou que os secretários já recebem os direitos previstos e que a intenção era apenas regulamentar a prática, excluindo novas despesas. “Já temos uma ideia do que pode ser feito para melhorar o projeto, retirando dele o prefeito e o vice”, pontuou.

O presidente da Câmara, Almir Pedro Mielke, confirmou que a decisão de retirar a proposta da pauta foi tomada após reuniões internas das comissões. “Muita gente me mandou mensagem. O pedido do vereador Dore foi pertinente, e por isso vamos analisar melhor nas próximas semanas”, declarou.