O ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL) foi ouvido nesta terça (10), por cerca de três horas, no Supremo Tribunal Federal (STF), em ação penal que apura uma suposta trama golpista para reverter o resultado das eleições de 2022 e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

Conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, o interrogatório integrou o segundo dia de depoimentos do núcleo principal, que já ouviu autoridades militares, como os ex‑comandantes da Marinha e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) .

Durante seu depoimento, Bolsonaro admitiu ter discutido possibilidades com comandantes das Forças Armadas para contestar o resultado eleitoral, embora tenha garantido que tais discussões ocorreram "dentro das quatro linhas da Constituição" e que não avançaram . Ele negou a acusação de editar uma minuta de decreto golpista, afirmando que a suposta edição não ocorreu .

Leia Também:

O ex-presidente justificou as conversas com os militares como desabafos frente à crise política, ressaltando que não havia base suficiente para qualquer golpe. “Não tinha clima, não tinha oportunidade, não tínhamos uma base minimamente sólida para se fazer qualquer coisa”, disse .

Além de rebater acusações, Bolsonaro transformou o interrogatório em um palanque político, elogiando seus mandatos, insistindo na narrativa antiurna eletrônica e convidando o ministro Moraes para ser vice em 2026 — convite que foi recusado com frieza .

Segundo a denúncia da Procuradoria‑Geral da República, Bolsonaro seria o principal articulador da tentativa de golpe, que chegou a prever prisões de ministros do STF, decretação de estado de sítio e até assassinatos políticos. O caso também atinge oito outros réus, incluindo militares da ativa e da reserva .

Este é o primeiro processo criminal em tribunal civil envolvendo um ex‑chefe de Estado no Brasil. A sentença é aguardada até o final do ano, o que poderia impedir sua participação em eleições futuras, apesar de sua inabilitação política já se estender até 2030 .