O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), pela primeira vez na condição de réu. Durante mais de duas horas de interrogatório, Bolsonaro foi questionado pelos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux, pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e por advogados. Ele negou a intenção de golpe, mas admitiu que discutiu "alternativas" com os militares após a derrota nas eleições de 2022. Veja os principais pontos:


1. Mentira sobre ataques à imprensa

Bolsonaro alegou que os cortes de verbas e ataques à mídia durante seu governo foram motivados por contenção de gastos, e não por perseguição. No entanto, seus quatro anos de mandato foram marcados por ofensivas diretas contra jornalistas, especialmente mulheres, cortes de publicidade oficial, ameaças de cassação de concessões e pressão a anunciantes.


2. Discussões com militares após derrota eleitoral

O ex-presidente confirmou que conversou com comandantes das Forças Armadas após perder a eleição para Lula. Disse que buscou alternativas “dentro da Constituição”, mas reconheceu que a ideia de ação foi descartada rapidamente. Ainda assim, mencionou que se discutiu a decretação de estado de sítio, mesmo sem justificativa legal para isso.

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3. Legalidade deturpada

Especialistas apontaram que Bolsonaro e seu ex-ajudante Mauro Cid deturparam conceitos de legalidade para tentar justificar ações que visavam impedir a posse de Lula. O ex-presidente afirmou que respeitou a Constituição, embora tenha admitido considerar medidas de exceção como estado de defesa e estado de sítio, que exigem circunstâncias específicas e autorização do Congresso.


4. Chamou manifestantes golpistas de “malucos”

Bolsonaro tentou se distanciar dos atos golpistas após as eleições e dos acampamentos em frente a quartéis, afirmando que esses movimentos partiram de “malucos”. Contudo, foi ele mesmo quem incentivou e tolerou esses grupos em diversas ocasiões. Disse que não torceu pelo caos e afirmou ter ajudado a “desmobilizar os caminhoneiros”.


5. Evasivo sobre fraudes nas urnas

Quando questionado sobre fraudes nas urnas eletrônicas, Bolsonaro não apresentou provas e desviou do tema, citando apenas opiniões de terceiros e sua defesa do voto impresso. Evitou responder diretamente ao ministro Moraes sobre os fundamentos de suas acusações ao sistema eleitoral e ao TSE.


O depoimento representa um momento-chave nas investigações que envolvem tentativas de golpe de Estado e ataques à democracia após as eleições de 2022. O STF segue analisando o caso com base em depoimentos e provas já colhidas, incluindo delações premiadas e documentos apreendidos.